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17 de fevereiro de 2017

ESTA CIDADE | POR ANDERSON C. SANDES




Fico cá nesta cidade
Com seus muitos becos
Suas muitas ruelas
De jovens parados
E afazeres efêmeros
Julgo eu, todavia.

Pr’onde iria eu...
Se tudo que tenho
De realmente meu
Nesta vida
São algumas feridas
Cicatrizes contam?

Quem me dera ter o que contar
Tudo que conto são meus sonhos
Uns três ou quatro...
Depende se chove ou faz sol
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!

Cansa-se por nada
Cansa-se de ser, de estar
Faz-se austero pra viver
Pra não ser engolido
Por essas casas feias (e infelizes)
Cheias de muros (que sorriem)

Creio já ter sido engolido
Creio ter amolecido
E como não?!
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!
Julgo eu, todavia

Tornei minhas noites claras
Tornaram-se trevas os meus dias
Inda que faça sol... “Fiat lux”
...   ...   ...
Que eu não morra por aqui...
Mas se eu morrer...
Que esteja a chover, meu Deus.


Anderson C. Sandes
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