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25 de novembro de 2015

O CRI CRI | POR ANDERSON C. SANDES




Repousam os versos
Onde o poeta não pode descansar
Versos profundos voam
Os de superfícies e os superficiais
Vão ás profundezas
E morrem sufocados
Sufocados em terra
Onde cada alma tem sua parte
Prefiro a poesia da lágrima de tinta do pierrot
Que do sorriso da mais bela
Me liberta o canto fúnebre
Me algemam os tamborins
Deleito-me nas trevas
Não suporto a luz do dia
O frio me comove
Me traz cólera o calor
Por vezes a solidão me consola
E a multidão em júbilo me enlouquece
Que sentido há? Que sentido há?

- Olha o circo na cidade
- Que vá logo embora

- O palhaço é meio triste
- Preciso conhece-lo

Não exalto musas ou cidades
"Eu gosto é do estrago"
Não me importo de que seja feito o samba
Mas, de onde vem a calma...
A lua não é dos namorados
É de quem a ninguém tem
O amor não é para os fortes
A guerra o é
Que sentido há? Que sentido há?

Estranhezas me encantam
Clichês me anojam
Que descansem os versos
Não repouse a poesia
Cessem as palavras, mas não cale o poeta
O que escreve das profundezas
Não me importo com os boêmios
Nem com suas canções
Que sentido há? Que sentido há?

Anderson C. Sandes


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