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20 de julho de 2015

VIDA EM PAPEL | POR ANDERSON C. SANDES



Que mundo de papelão

Cheio de seres de machê
De vida difícil e de fácil fim

Ah, este mundo de poeira
Cheio de homens de barro
Pequenos porrões pisando em betão pintado
Pintado por mãos
Não por acaso

Vidas insensíveis, a ponto de ceifar
Mais insensíveis ainda, a ponto de
Fazer poesia em memória dos ceifados

Como paredes de areia

E colunas de terra
Em cidade de vento
País das chuvas
Há queda. Akedah

O cosmos conspira em teu favor
Oh esfera suspensa entre o pó
Mas tu, em tua arrogância
Diz às estrelas: eu sei voar
E há queda. Akedah

Vidas insensíveis a ponto de gerar
Mais insensíveis ainda, a pondo de
Celebrar o nascimento
Nascimento de órfãos
Órfãos de papel, órfãos de barro

Oh mundo de papel
Cheio de homens de barro
Hoje, tua história jaz no papel
Outrora foste no barro
Lendas de seres de machê
De vida difícil e de fácil fim

Em cidade de vento
País das chuvas

Anderson C. Sandes

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