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18 de novembro de 2014

MUITO FRIO | POR ANDERSON C. SANDES



Muito frio
Escorado numa parede
Com meias nos pés
Com meias nas mãos
Com meias verdades 
No meio coração.

— Quando por lá chegou, foi acolhido por um tal de Sul. Muito frio. Diferente de tudo que tivera visto. Homem forte, colossal, e aparência opressora. Sua frieza assustava. Muito Frio. 

De tamboretes fez mesas
De porão fez moradia
E um dia se fez... muito frio
Numa noite sombria. 

— Possivelmente, esse anfitrião chamado Sul, virá cobrar favores, falando com escárnio entre os dentes, injúrias escorrendo pelos lábios, ameaças de fúnebre futuro. E o que será daquele que sente frio? 

Quando chegar então o dia 
De a conta ser cobrada 
O que sente frio pagará 
Mas de forma dobrada 
Da mesma forma em que foi recebido: 
Muito frio, muito frio, muito frio. 
Mas e agora? Este deverá ser punido? 
Em minha opinião, não desta vez. 
Pois houve frio, e frio se fez. 

Muito frio.

Anderson C. Sandes

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