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24 de maio de 2013

PSICOLOGIA E PEDAGOGIA: UMA ESTREITA RELAÇÃO


Seria impossível compreender o processo histórico da psicologia sem perceber sua ligação com a educação. Os três textos estudados descrevem justamente isso, esta relação entre a psicologia e a pedagogia.

No Brasil, o estabelecimento dessa complexa relação, já se constata desde os tempos coloniais, de modo que a educação foi um dos meios mais importantes para o desenvolvimento da psicologia. Muitas das conquistas psicológicas tiveram origem a partir da preocupação com o campo educacional.

É interessante notar que o principal campo que a psicologia se desenvolveu foi no campo educacional, e o principal fundamento cientifico da educação era a psicologia. Para Antunes “as demandas da educação constituíram-se em fatores determinantes para o desenvolvimento e a consolidação da psicologia como área especifica de saber e campo de práticas”. (ANTUNES, 2003, p.139). 

Antunes (2011) utiliza duas expressões sobre esta estreita relação: Psicologia Escolar e Psicologia Educacional. A Psicologia Escolar é a aplicação dos conhecimentos na Escola e a Psicologia educacional é o campo de estudo do que irá ser aplicado, não podendo separar uma da outra, pois estão embasadas em fundamentos educacionais e psicológicos.

Assim como Antunes (2011), Bock (2003) concorda que nem sempre essas relações existiram de forma estreita. Enquanto a concepção dominante da educação ocidental era a Escola Tradicional, não se utilizava da psicologia nessa educação, porque não era necessário acompanhar a prática educativa. 

Na chamada escola tradicional, não havia a necessidade da psicologia porque tudo já estava definido e pronto. Os alunos tinham um modelo á seguir, eram moldados, seguia a ideia que o ser humano possuía uma natureza dupla, ou seja, uma parte boa e outra ruim e a educação tinha a função de aperfeiçoar as crianças para que desenvolvessem sua parte boa, pois o conhecimento era visto como o único capaz de dar forças ao homem para controlar sua parte má.

A concepção tradicional pensou a educação como um trabalho de desenraizamento do mal natural que caracterizava o ser humano. O homem nascia dotado de uma natureza dupla: uma parte era corrompida pecado original) e outra era a considerada essencial, potencialmente boa e construtiva. Á educação cabia desenvolver a parte essencial da natureza humana, impedindo que a parte corrompida prosseguisse. ( BOCK; 2003, p. 80). 

Chega a escola nova - tempos coloniais. As crianças deixaram de ser vistas como más por natureza, e passaram a ter outra natureza dupla, agora tidas com uma bondade inata, e que seria corrompida pelo meio. E era a tarefa da escola mantê-las puras. Não existiriam regras, e segundo Bock (2003), era na bagunça que se veria o interesse em aprender.

A união à Psicologia foi necessária para que se pudesse entender o desenvolvimento humano e trabalhar com as crianças deste novo contexto, pois o trabalho dessa ciência seria oferecer respostas às questões necessárias sobre o novo modelo de educação que estava surgindo. 

Mas nem tudo foram flores nesta “fusão”. A terapia individual, trazida pela psicologia com um olhar clínico e patológico sobre os problemas da aprendizagem da criança neste novo mundo, não conseguiu resolver os conflitos gerados por essa nova educação. A educação seria um processo natural do sujeito, de modo que o fracasso ou sucesso do aluno dependia sempre dele, ou seja, culpavam sempre a vitima, sem levar em consideração todo o contexto que a escola possui. 

Bock (2003) trás algumas das consequências que toda essa cumplicidade trouxe: A psicologia era cúmplice dos “dominantes”, e por isso promoveu a desigualdade social para não perder o seu poder; ocultou as desigualdades afirmando que as diferenças existem porque cada sujeito vai se empenhar de maneira diferente na educação; desvalorização do aluno; visão de que o professor detém todo o conhecimento; a avaliação passa a ser uma forma de identificar o erro do aluno; entre outras.

A Psicologia deve romper com a cumplicidade que tem caracterizado sua relação com a educação, para se apresentar como um conhecimento capaz de demonstrar e compreender a dimensão subjetiva da experiência vivida na escola pelas camadas pobres. Mas, para assumir esta tarefa, a Psicologia deve superar a visão naturalizante, que possui, de homem e de desenvolvimento. (Bock; 2003, p. 99). 

Deste modo compreende-se que o fracasso da educação se deu pela forma como essas duas ciências se articularam, pois deram bases a teorias que contribuíram para estigmatização da criança e do seu ensino, como afirma Bock (2003), foi uma cumplicidade que trouxe muitas consequências pois a psicologia entrou em relação com a educação sem considerar o meio, tendo uma visão individualista do sujeito.

Surge então um novo momento, o período caracterizado pela conquista da psicologia como ciência autônoma, surge a necessidade de pesquisar áreas especificas da realidade. Com a modernização do país e o surgimento do novo homem, surge a necessidade da construção de uma nova nação, para atender ao novo modelo de sociedade vigente, e essa tarefa de construção desse novo sujeito vai novamente caber à educação.

Com o desenvolvimento da psicologia... a clinica passou a ser a modalidade mais estudada e preferida da mesma, e foram diminuindo o interesse pelo campo educacional, pois a psicologia agora calcada numa perspectiva clinica, atuavam na psicologia escolar muito baseada nessa perspectiva, e tratavam agora a educação como um fator clinico.

E através disto as condições socioculturais e pedagógicas eram negligenciadas, produzindo uma deficiência mental que na verdade não existia, produzindo desigualdades e preconceitos.
Hoje, a psicologia e a educação têm uma relação diferente, mais amigável; e a primeira, tenta se redimir com a sociedade e a educação, não produzindo mais tanta desigualdade e não sujeitando-se às classes dominantes. 

Apesar de todas as críticas... vale a pena ressaltar os fatos históricos, pois por meio deles pode-se refletir e aparar as arestas produzidas em determinados contextos históricos, sociais, culturais e econômicos. 



REFERÊNCIAS

ANTUNES, Mitsuko Aparecida Makino. Psicologia e Educação no Brasil: Uma análise Histórica. IN: Psicologia e Educação./ Roberta Gurgel Azzi, Mônica Helena Tieppo Alvez Gianfaldoni. (orgs.) – São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. (Série ABEP formação).

BOCK, Ana Mercês Bahia. MEIRA. Psicologia escolar: teorias criticas, IN: psicologia da educação: cumplicidade ideológica./Marisa Eugênia Melilo Meira, e Mitsuko Aparecida Makino  Antunes, (orgas) -  São Paulo : casa do psicólogo, 2003. 

ANTUNES, Aparecida Maquino . Psicologia escolar: teorias criticas, IN: psicologia da educação no Brasil: um olhar Histórico - Critico./Marisa Eugênia Melilo Meira, e Mitsuko Aparecida Makino  Antunes, (orgas) -  São Paulo : casa do psicólogo, 2003.

Texto: Anderson C. Sandes

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