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11 de novembro de 2012

É apenas um passarinho | Anderson C. Sandes



Está parado, em um galho torto de uma árvore cujas folhas estão avermelhadas. É apenas um passarinho, mas continuo a olhar... ele nem sabe que faço isso, nem eu sei porquê faço isso. Ele está a olhar para o horizonte... será que espera o sol se por? Será que espera por outro? Está apenas contemplando a fumaça que sobe? Parece triste, meio cansado, e um pouco frustrado.

O que faço aqui tentando decifrar o semblante de uma ave? É apenas um passarinho. Não sei o porquê estou a fazer tal coisa, mas continuo fazendo, afinal... não tenho nada melhor a fazer. Ele nem se meche... Opa, piscou o olhinho, bem devagar, abriu da mesma forma. O vento sopra devagar, suas penas quase não se movem. 

Por que será que ele não desvia o olhar? Em que está pensando? Porque não voa como todos os outros estão fazendo no momento? Por que os outros passam por perto e não pousam em seu galho? Nossa, que tanto por que! Mas continuo observando.

Ele está olhando para cima agora, levantou a cabeça bem devagar, como se não estivesse com pressa, mas como se esperasse algo impacientemente. Ele parece tão distante... 

Parei de olhar, saí dali me perguntando o motivo pelo qual eu não parava de pensar naquilo. Até que entendi... eu sou exatamente como aquele passarinho. Eu estava o tempo todo olhando para mim. E como aquele passarinho... eu nem sabia que estava sendo observado: por mim mesmo.

Anderson C. Sandes

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