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2 de novembro de 2012

A MORTE E O PENSADOR



Aqui estou... em minha frente um corpo frio, flores, pessoas inconformadas, outras nem tanto... mas todos temos algo em comum, estamos olhando para o mesmo lugar, nossos olhos se voltam para um jovem, bem jovem. Por baixo das flores amarelas e brancas, está em silencio, inconsciente... dorme.

A poucas semanas atrás vivenciei uma sena semelhante, as diferenças eram: as pessoas, as flores e o jovem. Este foi o ano mais difícil de minha vida, foram dias negros, noites em claro, e tardes vazias. 

A senhora morte bateu a porta de vários conhecidos meus, e em um dos casos a mesma literalmente bateu o portão. Ele estava quieto, sentado, quando o maldito projétil atravessou o metal frio da casa. A pouco tempo uma amiga me disse que nos últimos sete dias já tinha ido a cinco velórios de amigos. 

Agora estou a céu aberto... faz frio aqui na calçada, olho para cima e vejo as estrelas, cada uma em seu divido lugar, em algum lugar por aí. Nem sei no que pensar... ouço cochichos daqui, também escuto choro. Pobre mãe... adormeceu... será que sonha? Acho que não, está muito cansada até mesmo para sonhar. Penso na outra mãe, penso em várias mães... penso em minha mãe. 

Já é quase uma da manhã... me recordo de um episódio que aconteceu comigo a mais ou menos um mês atrás. Estava eu em um torneio de artes marciais, já tinha terminado minhas lutas e feliz porque sabia que eu era o campeão de minha categoria... estava tomando água e vendo o meu primo lutar... desviei o olhar por segundos e de repente todos ficaram de pé... quando fitei o olhar vi meu primo e seu adversário (também meu amigo) caídos. Seu adversário tinha quebrado a perna com o choque da defesa de meu primo. A ambulância foi chamada, meu treinador pediu para que eu os acompanhassem ao hospital, e é aí que a história começa. 

Chegou para ser atendida uma velhinha, bem velhinha mesmo, desidratada, magrinha, era possível ver as veias debaixo de sua pele fininha... Ela foi atendida e em breve a liberaram. Um rapaz, acompanhado de uma mulher, me pediu para o ajudar a tira-la da cadeira de rodas e a colocar no carro. Eu tomei a senhora em meu colo, com muito cuidado. Seus olhos fixaram nos meus e com tom de carinho e baixinho ela me disse: Não tenha dó da velha, eu já estou morta. 

Aquilo acabou comigo, me fez pensar por um bom tempo. Deste dia em diante nunca mais sou o mesmo. Pensei em escrever isso, mas resolvi esperar outra oportunidade... e aqui estou. O pensamento a mil... desorganizado... 

Olho novamente para o céu, as estrelas mudaram de lugar, mas ainda continuam em seu devido lugar, onde deveriam estar... em algum lugar por aí. E eu, continuo aqui, pensando, escrevendo, pensando, aprendendo, pensando, crescendo, pensando, falando com Deus, pensando, ouvindo as vozes, pensando, ouvindo choro, pensando, e o que ainda não disse: pensando muito. 

Vou ficar aqui pensando mais um pouquinho, nem sei em que pensarei... mas vai ser só mais um pouquinho, depois vou entrar, e falar com alguém. A noite vai ser longa. 

Anderson C. Sandes

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