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17 de fevereiro de 2017

ESTA CIDADE | POR ANDERSON C. SANDES




Fico cá nesta cidade
Com seus muitos becos
Suas muitas ruelas
De jovens parados
E afazeres efêmeros
Julgo eu, todavia.

Pr’onde iria eu...
Se tudo que tenho
De realmente meu
Nesta vida
São algumas feridas
Cicatrizes contam?

Quem me dera ter o que contar
Tudo que conto são meus sonhos
Uns três ou quatro...
Depende se chove ou faz sol
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!

Cansa-se por nada
Cansa-se de ser, de estar
Faz-se austero pra viver
Pra não ser engolido
Por essas casas feias (e infelizes)
Cheias de muros (que sorriem)

Creio já ter sido engolido
Creio ter amolecido
E como não?!
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!
Julgo eu, todavia

Tornei minhas noites claras
Tornaram-se trevas os meus dias
Inda que faça sol... “Fiat lux”
...   ...   ...
Que eu não morra por aqui...
Mas se eu morrer...
Que esteja a chover, meu Deus.


Anderson C. Sandes
sexta-feira, fevereiro 17, 2017

14 de dezembro de 2016

DE PASSAGEM | POR ANDERSON C. SANDES



Essas vilinhas bucólicas
Quiçá melancólicas
Com bodes amarrados em algarobeiras
Recordam-me algo que fui, talvez.
Falo de um sujeito mais manso . . .
Nem sei . . .
Hoje sou mais como aquele 
Rio seco, agreste . . .
Eu até vou p’ro destino
Mas me arrastando
Como lágrimas em face rugosa
Lágrimas d'um olhar seco
Olhar que observa bodes
Em vilinhas bucólicas
Fartas de algarobeiras
E vê nisso poesia

(E os bodes me olham... Com olhos mais úmidos que os meus).

quarta-feira, dezembro 14, 2016

28 de novembro de 2016

(DES) FIZ-ME | POR ANDERSON C. SANDES




Fogo na caatinga
Fiz-me pardal e voei
Verde na serra
Desfiz-me das asas, pousei
Era belo o caminho
Fiz pra mim botas... e andei
Fresco e calmo era o lago
(... não sei nadar)
Tive medo, e nada virei
Odiava o medo
Fiz-me coragem e nadei
E na coragem... me afoguei

De longe observava d’onde vim
Tive pena de mim, por um instante
E de penas me enchi
De novo fiz-me pardal
E a caatinga visitei
E por lá não mais me encaixei...

Me cansei da caatinga
Fiz-me fogo e a queimei

Voem pardais... voem!

Foto: André Brito
segunda-feira, novembro 28, 2016

22 de setembro de 2016

PEDRAS | POR ANDERSON C. SANDES




Havia uma pedra no caminho
Como homem que sou: olhei
No caminho havia uma pedra
Pueril que sou a chutei
(Fui levando para frente, a chutar)
E de tanto brincar: enjoei
E desapegado que sou a deixei
Há uma pedra no caminho
No caminho que trilhei
Criativo como sou, dei-a nome
E de Andrade a batizei
De Andrade nada lembro
Pois outra pedra eu achei
(Ainda sigo a chuta-la...)

Anderson C. Sandes
quinta-feira, setembro 22, 2016

28 de agosto de 2016

CADA QUAL EM SEU LUGAR | ANDERSON C. SANDES


Por mais que eu cante
Não me vêm as borboletas
Inda que’u grite
Não me responde a lua
Deve estar cheia... cheia de mim

Pr’onde vão as borboletas
Quando fogem de mim?
Seja lá onde for
Rejeitam meu canto
E cá estou em meu canto

Ao longe se grita, ao perto se canta

Oh borboletas e lua
Ambas tão cheias de fazes
Cheias de mínguas... crescentes
Em busca de nova vida

Talvez para à lua vão as borboletas
E ficam em silêncio
Sem grito e sem canto
E cá fico, em meu canto.

Anderson C. Sandes

Créditos da imagem: MaDonna


domingo, agosto 28, 2016

9 de agosto de 2016

VOLTAS | POR ANDERSON C. SANDES




De todas as minhas voltas...
De todas as minhas voltas...
Uma não reparei
Foi a que dei em torno de mim
Vi tudo o que há de rotação
Mas não percebi minhas sete
Meias-voltas e o voltar
Para o caminho d'onde vim

Pensei ter sido dejavu
Mas não... as pegadas eram minhas
De todas as minhas voltas...
De todas as minhas voltas...
(Uma memória me veio)
Por isso que o cosmos gritava:
- Meia volta volver
- Meia volta volver
E eu refletia:
- Deve estar louco...
- Deve estar louco...

E assim... eu, sendo já eu
Tornei-me descobridor de mim
Como um náufrago inglês
Que descobre a Inglaterra.

Crédito da foto: 
José Barbosa
olhares.com/josemsmbarbosa

terça-feira, agosto 09, 2016

25 de maio de 2016

BELO | POR ANDERSON C. SANDES



Me admiro com o belo
E em tudo que há beleza
Temo por meu túmulo
Minha futura morada
Futura fortaleza
Que não seja feio, meu Deus
Que não seja feia

Não temo a moribunda solidão
Desde que seja uma bela solidão
Me farão companhia os vermes
Representando a futura condição
Mas que seja um belo cadáver
E que seja belo o caixão

De todas as tragédias
Escolho a poesia
Pois me é uma bela tragédia
É sorrir de desgraças
É sofrer com alegria
Sofrer de forma heroica
Como um belo herói

Que seja belo o cortejo
Que sejam belas as flores
Que seja um belo buraco
Que belo seja o chorar
E que haja bela música
E por fim, que seja bela a vida
Daqui até lá. 


Anderson C. Sandes

quarta-feira, maio 25, 2016