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8 de fevereiro de 2018

DA CHUVA QUE CAI | POR ANDERSON C. SANDES




Quão apressadas caem
essas gotas nos torrões.
Como quem sente saudade,
logo voltam a correr, seguem o curso
como fora em outrora.

Não sabeis, pois, que
a vida é hostil?
Ou apenas seguem essa
tirânica lei natural
de ir e vir... ir e vir...

Apegamos-nos tanto com a vida em terra
que, ao subirmos, o primeiro instinto 
é olhar para baixo,
como quem sente falta...
e poeticamente caímos.

Caso um dia eu evapore
e tenha a chance de lucidez em ar,
é possível que eu volte, que eu caia...
Gosto da caminhada.
(apesar de doerem minhas pernas)
inda mais quando chove.


Anderson C. Sandes
quinta-feira, fevereiro 08, 2018

24 de dezembro de 2017

DO SER O QUE É | POR ANDERSON C. SANDES




Concentro-me em algaravias amiúdes 
De arquétipos mui caros...
Tento ouvir a todos.
Alguns corifeus de meus valores amados,
Valores escritos em lábaros...
Que se perderam em meio à escatologia,
(E tantas outras "gias")
Alguns ainda se acham em epopéias, em ilíadas...
Ainda que rotos...
Ainda que tolos...
Ainda que soltos...

Encaro a pachorra em ensejos,
Perco muitos deles...
Sim... ainda há muito a aprender
A vencer... a vencer a mim...
Que nunca serei digno de apoteose
Nem da espada de um rei,
Nem de aperto de mãos,
Nem cumprimento ao longe, de largo,
Ou pronunciarem meu nome entre nobres.

Escrevo canções 
Que não serão cantadas...
Poemas que não serão lidos...
Conselhos destinados a não serem ouvidos...
Tenho a capacidade de não ser entendido... 
Nem entre amigos.
Nem entre amigos.

Onde estão esses arquétipos?
Só ouço as vozes...
Como queria os seus favores e amizades.
Onde estão os arquétipos? 
Que fizeram com eles?
Posso ouvi-los.

Anderson C. Sandes

domingo, dezembro 24, 2017

21 de outubro de 2017

MENTALIDADE VERMELHA | POR ANDERSON C. SANDES



Oh, Mentalidade vermelha
Que com foices abrem crânios
E com martelos esmagam a massa cinzenta
Esmagam a massa...
E cinza é o seu futuro
Non ego sum
Não me associo a eles

Não suporto a histeria
De bandeiras tristes e falsas
Nas praças
Ah, essas praças...
Sempre tão cheias deles...
Não têm muito o que fazer?

Cansei-me das queixas tristes
De artistas tristes
Que idealizam um mundo melhor
Que preguiça desses “mundos melhores”
Cansei-me deles
Et omnia vanitas

Dizem amar os pandas
Dizem amar as mulheres,
E os homens que se dizem mulheres
E o trabalhador
O empregado
O proletariado
O homem de cor
E a cor do homem
E ao bandido
E a vítima do bandido
Ao bandido que é vítima
E aquele que é
E ao mundo
E a humanidade...
Mentirosos, não amam nem suas mães
Que se envergonham de suas paixões

Oh mentalidade vermelha
Rubra, carmesim, escarlate...
Como muito é o sangue que derramaste
Non ego sum
Non ego sum

Anderson C. Sandes
sábado, outubro 21, 2017

16 de setembro de 2017

DA VIDA | POR ANDERSON C. SANDES




Já vi alguns invernos
Já vi alguns infernos
Vi infernos em invernos 
E invernos em infernos

Com cantos tristes já sorri
Com cantos alegres já chorei
Em cantos tristes já me ri
Em alegres cantos lamentei
Em todo canto ouvi (e houve) um canto 

Já estive seco na garoa
E já no sol eu me molhei
Em seca fiz colheita boa
Com meu suor eu já reguei

Já fiz limão de limonadas
Me reverti e me fiz também 
Deixei das jarras adoçadas 
Pois o azedo eu quero bem

Em algumas trevas já fui luz
Em algumas luzes fui escuro
Mas nessa vida eu nunca pus 
Minha cabeça sobre o muro

Na ordem já fiz anarquia
Já na revolta fiz reação
Hoje vivo de poesia 
Pra não morrer de razão

De tão conservador conservo a dor
Em algumas delas me libertei 
Aprendi com vida algum valor
Até a morte os levarei

Anderson C. Sandes
sábado, setembro 16, 2017

7 de agosto de 2017

QUE COISA TERRÍVEL | POR ANDERSON C. SANDES


Oh, que coisa terrível
parecia fazer aquele homem.
Todos olhavam, se cutucavam e apontavam.
- De que se trata?
Perguntavam os desavisados,
que de longe forçavam as vistas
para ver o conteúdo que o indivíduo portava.

Ah, que coisa assustadora
parecia fazer aquele homem.
Poucos tinham visto algo igual,
mesmo os que viram em outrora
se espantavam com a cena.
- Se acha melhor que nós?
Pensava aquele inconsciente coletivo,
calado, mas não em silêncio.

Ora, mas que coisa espantosa
parecia fazer aquele homem
segurando aquele objeto belo e temível...
poucos tinham algo igual em suas casas
(pobres almas embrutecidas)
- Quem ele pensa que é?
Ecoavam os pensamentos da massa
que seguia indignada pra cima e pra baixo

A despeito de tudo,
continuava aquele homem ali,
severo, calado, de pernas cruzadas,
a ler o seu livro... em paz. 

Anderson C. Sandes
Foto do post: Guilherme Santana/VICE

segunda-feira, agosto 07, 2017

20 de abril de 2017

CADA DIA | POR ANDERSON C. SANDES


Voam as moscas num tom de fá,
Zum zum zum infernal
Em meio aos corpos fétidos.
Geme a marreta em atrito
Com a bigorna...
Nunca fui de apascentar
As ovelhas de meu pai,
Nunca tive a oportunidade
De tocar arpa para meu rei.
Tiraram-me o rei,
Roubaram-me a pátria.
A companhia que tenho
É um gigante por dia,
Que tenho que matar;
Mato-os pra não morrer.
Estou tão cansado,
Queria ler Dostoievski
Ou talvez Pascal...
Mas reparo meu escudo,
Amolo minha lâmina...
Amanhã mais um gigante
Pedirá minha alma.
De onde diabos eles vêm?
Amanhã pedirão minha alma.
Lutarei!
Quem sabe seja a última batalha.
Pra mim ou pra eles?
De qualquer forma,
Descansarei em paz.

Anderson C. Sandes

quinta-feira, abril 20, 2017

17 de fevereiro de 2017

ESTA CIDADE | POR ANDERSON C. SANDES




Fico cá nesta cidade
Com seus muitos becos
Suas muitas ruelas
De jovens parados
E afazeres efêmeros
Julgo eu, todavia.

Pr’onde iria eu...
Se tudo que tenho
De realmente meu
Nesta vida
São algumas feridas
Cicatrizes contam?

Quem me dera ter o que contar
Tudo que conto são meus sonhos
Uns três ou quatro...
Depende se chove ou faz sol
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!

Cansa-se por nada
Cansa-se de ser, de estar
Faz-se austero pra viver
Pra não ser engolido
Por essas casas feias (e infelizes)
Cheias de muros (que sorriem)

Creio já ter sido engolido
Creio ter amolecido
E como não?!
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!
Julgo eu, todavia

Tornei minhas noites claras
Tornaram-se trevas os meus dias
Inda que faça sol... “Fiat lux”
...   ...   ...
Que eu não morra por aqui...
Mas se eu morrer...
Que esteja a chover, meu Deus.


Anderson C. Sandes
sexta-feira, fevereiro 17, 2017