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22 de setembro de 2016

PEDRAS | POR ANDERSON C. SANDES




Havia uma pedra no caminho
Como homem que sou: olhei
No caminho havia uma pedra
Pueril que sou a chutei
(Fui levando para frente, a chutar)
E de tanto brincar: enjoei
E desapegado que sou a deixei
Há uma pedra no caminho
No caminho que trilhei
Criativo como sou, dei-a nome
E de Andrade a batizei
De Andrade nada lembro
Pois outra pedra eu achei
(Ainda sigo a chuta-la...)

Anderson C. Sandes
quinta-feira, setembro 22, 2016 > Anderson C. Sandes

28 de agosto de 2016

CADA QUAL EM SEU LUGAR | ANDERSON C. SANDES


Por mais que eu cante
Não me vêm as borboletas
Inda que’u grite
Não me responde a lua
Deve estar cheia... cheia de mim

Pr’onde vão as borboletas
Quando fogem de mim?
Seja lá onde for
Rejeitam meu canto
E cá estou em meu canto

Ao longe se grita, ao perto se canta

Oh borboletas e lua
Ambas tão cheias de fazes
Cheias de mínguas... crescentes
Em busca de nova vida

Talvez para à lua vão as borboletas
E ficam em silêncio
Sem grito e sem canto
E cá fico, em meu canto.

Anderson C. Sandes

Créditos da imagem: MaDonna


domingo, agosto 28, 2016 > Anderson C. Sandes

9 de agosto de 2016

VOLTAS | POR ANDERSON C. SANDES




De todas as minhas voltas...
De todas as minhas voltas...
Uma não reparei
Foi a que dei em torno de mim
Vi tudo o que há de rotação
Mas não percebi minhas sete
Meias-voltas e o voltar
Para o caminho d'onde vim

Pensei ter sido dejavu
Mas não... as pegadas eram minhas
De todas as minhas voltas...
De todas as minhas voltas...
(Uma memória me veio)
Por isso que o cosmos gritava:
- Meia volta volver
- Meia volta volver
E eu refletia:
- Deve estar louco...
- Deve estar louco...

E assim... eu, sendo já eu
Tornei-me descobridor de mim
Como um náufrago inglês
Que descobre a Inglaterra.

Crédito da foto: 
José Barbosa
olhares.com/josemsmbarbosa

terça-feira, agosto 09, 2016 > Anderson C. Sandes

25 de maio de 2016

BELO | POR ANDERSON C. SANDES



Me admiro com o belo
E em tudo que há beleza
Temo por meu túmulo
Minha futura morada
Futura fortaleza
Que não seja feio, meu Deus
Que não seja feia

Não temo a moribunda solidão
Desde que seja uma bela solidão
Me farão companhia os vermes
Representando a futura condição
Mas que seja um belo cadáver
E que seja belo o caixão

De todas as tragédias
Escolho a poesia
Pois me é uma bela tragédia
É sorrir de desgraças
É sofrer com alegria
Sofrer de forma heroica
Como um belo herói

Que seja belo o cortejo
Que sejam belas as flores
Que seja um belo buraco
Que belo seja o chorar
E que haja bela música
E por fim, que seja bela a vida
Daqui até lá. 


Anderson C. Sandes

quarta-feira, maio 25, 2016 > Anderson C. Sandes

18 de maio de 2016

DISFARCE | POR ANDERSON C. SANDES



Não estou chorando,
estou chovendo!
Chove nos desertos
de minhas pálpebras
pra dentro

Por fora das janelas da alma
observo a chuva.
Cheiro de face molha...
Cheia de nuvens pesadas.
Cinza, tal qual dia nublado.

Há enchente nas maças
e no canto da boca.
Banquete salgado...
Mesa farta.
Época das cheias.

Terra fértil se faz o rosto.
O que plantarei?
Quiçá um sorriso,
talvez uma micro expressão
de graça... de graça.

Farei a colheita, depois!
Com foice ou navalha,
com mãos ou com máquina.
O que for melhor...
O que tiver mais poesia.

Por hora, chove aqui.
Depois vem o sol,
talvez venha à noite
A noite é mais quente
das minhas janelas pra dentro.

Anderson C. Sandes

quarta-feira, maio 18, 2016 > Anderson C. Sandes

16 de abril de 2016

MIGRAÇÃO | POR ANDERSON C. SANDES



Migram as aves pro meu coração
Eis que findou meu inverno
Nesse inferno de frieza
Nesses lagos congelantes
Onde meu Narciso feio se contempla
E acha bela sua estranheza 

Cantam as aves em meu coração
Quebrando em mim todo silêncio
Silêncio agora que encanta
Que encara, que canta, e conta
Conta, em cada canto: um causo

Encheu-se de aves o meu coração
Não é agora tão vazio
Há flores, há lagos, há cores
Sem dores nas dores, apenas amores

Os cantos voam, as cores voam
Voam p’ronde querem, o tempo voa...
Aprendi a voar

Aprendi no tempo, a voar
Aprendi no amor, a amar

Agora eu voo em direção do amor


Anderson C. Sandes   
  
sábado, abril 16, 2016 > Anderson C. Sandes

29 de março de 2016

PROFUNDURAS | POR ANDERSON C. SANDES




Plantada é a semente,
e a raiz se aprofunda.
Para ser a mais crescente
mais e mais ela se afunda

Perdoe minha dureza,
mas ser mole me arrasou.
Vim da profundeza.
Ser profundo é o que sei,
é o que sou.

O que é raso me rasura
O que é fato não fatura

Sentimento me é dobrado
e elevado ao quadrado.
Matematicamente exagerado.
Porém, tudo calculado.

As almas dos mortos repousam 
a sete palmos da terra
A minha, estando ainda viva, 
repousa a quatorze abaixo dela

Crédito da imagem: Abismo - Jénot Jean Marie


Anderson C. Sandes

terça-feira, março 29, 2016 > Anderson C. Sandes