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16 de setembro de 2017

DA VIDA | POR ANDERSON C. SANDES




Já vi alguns invernos
Já vi alguns infernos
Vi infernos em invernos 
E invernos em infernos

Com cantos tristes já sorri
Com cantos alegres já chorei
Em cantos tristes já me ri
Em alegres cantos lamentei
Em todo canto ouvi (e houve) um canto 

Já estive seco na garoa
E já no sol eu me molhei
Em seca fiz colheita boa
Com meu suor eu já reguei

Já fiz limão de limonadas
Me reverti e me fiz também 
Deixei das jarras adoçadas 
Pois o azedo eu quero bem

Em algumas trevas já fui luz
Em algumas luzes fui escuro
Mas nessa vida eu nunca pus 
Minha cabeça sobre o muro

Na ordem já fiz anarquia
Já na revolta fiz reação
Hoje vivo de poesia 
Pra não morrer de razão

De tão conservador conservo a dor
Em algumas delas me libertei 
Aprendi com vida algum valor
Até a morte os levarei

Anderson C. Sandes
sábado, setembro 16, 2017

7 de agosto de 2017

QUE COISA TERRÍVEL | POR ANDERSON C. SANDES


Oh, que coisa terrível
parecia fazer aquele homem.
Todos olhavam, se cutucavam e apontavam.
- De que se trata?
Perguntavam os desavisados,
que de longe forçavam as vistas
para ver o conteúdo que o indivíduo portava.

Ah, que coisa assustadora
parecia fazer aquele homem.
Poucos tinham visto algo igual,
mesmo os que viram em outrora
se espantavam com a cena.
- Se acha melhor que nós?
Pensava aquele inconsciente coletivo,
calado, mas não em silêncio.

Ora, mas que coisa espantosa
parecia fazer aquele homem
segurando aquele objeto belo e temível...
poucos tinham algo igual em suas casas
(pobres almas embrutecidas)
- Quem ele pensa que é?
Ecoavam os pensamentos da massa
que seguia indignada pra cima e pra baixo

A despeito de tudo,
continuava aquele homem ali,
severo, calado, de pernas cruzadas,
a ler o seu livro... em paz. 

Anderson C. Sandes
Foto do post: Guilherme Santana/VICE

segunda-feira, agosto 07, 2017

20 de abril de 2017

CADA DIA | POR ANDERSON C. SANDES


Voam as moscas num tom de fá,
Zum zum zum infernal
Em meio aos corpos fétidos.
Geme a marreta em atrito
Com a bigorna...
Nunca fui de apascentar
As ovelhas de meu pai,
Nunca tive a oportunidade
De tocar arpa para meu rei.
Tiraram-me o rei,
Roubaram-me a pátria.
A companhia que tenho
É um gigante por dia,
Que tenho que matar;
Mato-os pra não morrer.
Estou tão cansado,
Queria ler Dostoievski
Ou talvez Pascal...
Mas reparo meu escudo,
Amolo minha lâmina...
Amanhã mais um gigante
Pedirá minha alma.
De onde diabos eles vêm?
Amanhã pedirão minha alma.
Lutarei!
Quem sabe seja a última batalha.
Pra mim ou pra eles?
De qualquer forma,
Descansarei em paz.

Anderson C. Sandes

quinta-feira, abril 20, 2017

17 de fevereiro de 2017

ESTA CIDADE | POR ANDERSON C. SANDES




Fico cá nesta cidade
Com seus muitos becos
Suas muitas ruelas
De jovens parados
E afazeres efêmeros
Julgo eu, todavia.

Pr’onde iria eu...
Se tudo que tenho
De realmente meu
Nesta vida
São algumas feridas
Cicatrizes contam?

Quem me dera ter o que contar
Tudo que conto são meus sonhos
Uns três ou quatro...
Depende se chove ou faz sol
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!

Cansa-se por nada
Cansa-se de ser, de estar
Faz-se austero pra viver
Pra não ser engolido
Por essas casas feias (e infelizes)
Cheias de muros (que sorriem)

Creio já ter sido engolido
Creio ter amolecido
E como não?!
Sempre faz sol por aqui
Que inferno, meu Deus!
Julgo eu, todavia

Tornei minhas noites claras
Tornaram-se trevas os meus dias
Inda que faça sol... “Fiat lux”
...   ...   ...
Que eu não morra por aqui...
Mas se eu morrer...
Que esteja a chover, meu Deus.


Anderson C. Sandes
sexta-feira, fevereiro 17, 2017

14 de dezembro de 2016

DE PASSAGEM | POR ANDERSON C. SANDES



Essas vilinhas bucólicas
Quiçá melancólicas
Com bodes amarrados em algarobeiras
Recordam-me algo que fui, talvez.
Falo de um sujeito mais manso . . .
Nem sei . . .
Hoje sou mais como aquele 
Rio seco, agreste . . .
Eu até vou p’ro destino
Mas me arrastando
Como lágrimas em face rugosa
Lágrimas d'um olhar seco
Olhar que observa bodes
Em vilinhas bucólicas
Fartas de algarobeiras
E vê nisso poesia

(E os bodes me olham... Com olhos mais úmidos que os meus).

quarta-feira, dezembro 14, 2016

28 de novembro de 2016

(DES) FIZ-ME | POR ANDERSON C. SANDES




Fogo na caatinga
Fiz-me pardal e voei
Verde na serra
Desfiz-me das asas, pousei
Era belo o caminho
Fiz pra mim botas... e andei
Fresco e calmo era o lago
(... não sei nadar)
Tive medo, e nada virei
Odiava o medo
Fiz-me coragem e nadei
E na coragem... me afoguei

De longe observava d’onde vim
Tive pena de mim, por um instante
E de penas me enchi
De novo fiz-me pardal
E a caatinga visitei
E por lá não mais me encaixei...

Me cansei da caatinga
Fiz-me fogo e a queimei

Voem pardais... voem!

Foto: André Brito
segunda-feira, novembro 28, 2016

22 de setembro de 2016

PEDRAS | POR ANDERSON C. SANDES




Havia uma pedra no caminho
Como homem que sou: olhei
No caminho havia uma pedra
Pueril que sou a chutei
(Fui levando para frente, a chutar)
E de tanto brincar: enjoei
E desapegado que sou a deixei
Há uma pedra no caminho
No caminho que trilhei
Criativo como sou, dei-a nome
E de Andrade a batizei
De Andrade nada lembro
Pois outra pedra eu achei
(Ainda sigo a chuta-la...)

Anderson C. Sandes
quinta-feira, setembro 22, 2016